EDUCAÇÃO CONTINUADA
O QUE O MERCADO DESEJA
A decisão de continuar os estudos é uma postura desejada no ambiente corporativo. Saiba como acertar na escolha do seu curso
Rodolfo C. Bonventti
Vista até o final da década de 80 como um certificado de garantia para um emprego melhor, a graduação pura e simples parece que está perdendo a validade. Hoje, só a formação acadêmica não basta e a ela se agregaram também questões como um bom quociente emocional que permita ao executivo saber lidar com pessoas e com situações de crise. Com a internacionalização das empresas brasileiras e uma reestruturação produtiva da economia com um processo acelerado e contínuo de fusões e aquisições, cresceu significativamente a necessidade de investir conscientemente em cursos de educação continuada.

Em geral, o MBA é recomendado para todo aquele profissional em ascensão de carreira ou que pretende deixar de ser apenas um especialista na sua área e queira desempenhar funções mais abrangentes como líder. O MBA executivo oferece uma visão geral de uma organização, enfocando principalmente as áreas de finanças, marketing, gestão de pessoas e tecnologia da informação. Há muitos cursos específicos a cada uma dessas áreas, ou seja, que se aprofundam mais em um desses temas, e esses são mais indicados para quem já tem uma boa base em administração e quer ter um conhecimento maior em um setor em particular.

De acordo com especialistas, o momento certo para fazer um MBA executivo é, no mínimo, após cinco anos de experiência gerencial. Isso porque, na maioria das vezes, um recém-formado não conseguiria acompanhar o nível da turma, não teria experiências para compartilhar com os demais nem se beneficiaria do conteúdo por não ter como aplicá-lo apropriadamente.

"A educação continuada garante hoje a manutenção do nível de empregabilidade e permite carreiras mais bem estruturadas e duradouras. O nosso mercado está sempre em busca de colaboradores que aliem conhecimento amplo, seqüencial e continuado. Todo profissional precisa estar sempre reciclando o seu conhecimento enquanto estiver ativo no mercado", avalia o diretor nacional de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Richard Luchdt.

"Como eu estou profissionalmente? O que me interessa? Onde eu quero chegar?" Essas são as perguntas que, segundo o professor César Furtado de Carvalho Bullara, do Departamento de Gestão de Pessoas do Instituto Superior da Empresa (ISE), todo executivo deve se fazer antes de escolher o tipo de curso e de especialização que ele deseja. "É preciso fazer uma reflexão sobre o estágio da carreira em que o executivo está, definir um objetivo preciso. Tem de ser uma decisão madura, bem pensada. Para quem já está no mercado há pelo menos quatro ou cinco anos, esses programas de educação continuada acabam sendo uma experiência muito mais rica e os resultados no mercado de trabalho também acontecem mais rápido", completa.

Necessidades da empresa
Outra tendência crescente entre as empresas é o investimento em MBAs in company, que são treinamentos mais focados nas necessidades e no dia a dia das organizações. Além de um custo menor para as empresas, outra vantagem desses cursos é que eles são montados de acordo com as necessidades daquela empresa que o está contratando. Eles se baseiam em estudos de cases da organização e têm, evidentemente, aplicação direta no cotidiano dessas empresas.
Preferidos muitas vezes por uma questão de custo, os MBAs in company não agradam a muitos especialistas, que apontam um problema: há pouca troca de experiências entre os profissionais, já que todos pertencem à mesma empresa, e as redes de contatos desses executivos não se ampliam.

"A atuação do RH das empresas também é muito importante nessa hora de decisão do executivo, porque nem sempre a união entre trabalho e educação forma um par perfeito. Muitas vezes, esse profissional vai para um MBA qualquer só porque acha que, se não o fizer, vai ficar mal com a sua chefia", ressalta André Camargo, do Ibmec. "Envolver a sua empresa no seu curso é outro aspecto importantíssimo para quem quer tirar o máximo proveito do seu MBA", afirma.

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