Especialistas concordam: investir em uma pós pode ajudar a conquistar salários maiores
O investimento em um curso de pós-graduação pode ser alto, por isso é natural que os profissionais se perguntem: será que o investimento vale a pena? Para os coordenadores de cursos e diretores de RH, sem dúvidas vale. Um título de MBA no currículo ou uma pós lato sensu abrem as portas para os postos de comando das corporações, nicho onde estão os maiores salários e oportunidades de carreira.
A fluminense Luiza Gonçalves de Paula é um exemplo de ascensão profissional turbinada por um título de pós. Luiza formou-se em ciências da computação em sua cidade natal, Volta Redonda, e logo passou num concurso da Caixa Econômica Federal (CEF). A jovem programadora foi contratada pela Caixa como analista júnior, uma função que paga menos de R$ 2 mil.
Com dois anos de empresa, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro e matriculou-se na pós-graduação em Governança Corporativa e Melhores Práticas em TI, do Instituto Infnet. Mesmo antes de completar os estudos, recebeu duas promoções e hoje vive entre o Rio e Brasília, supervisionando projetos em sua nova função, consultora de governança e desenvolvimento de projetos. O melhor desta história é que Luiza viu seu salário mais que dobrar em apenas 18 meses.
"Um fato importante para minha ascensão foi eu ter buscado a pós antes de ser promovida. Ou seja, eu me preparei para chegar a um cargo de gerência. Além disso, acho fundamental escolher um curso que esteja afinado com as necessidades do mercado ou ao menos da empresa em que você já trabalha", diz Luiza.
Antes de entrar no Infinet, a hoje consultora ficou em dúvida entre o curso de governança em TI e uma pós em redes de dados, oferecida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Segurança de redes é um mercado já saturado, então optei por um curso que me desse uma visão mais estratégica e tivesse disciplinas menos técnicas e mais administrativas, como governança. Essa decisão acertada foi fundamental para eu conseguir as promoções", afirma Luiza.
Para o diretor do curso de pós-graduação do instituto Infinet, Andre Kischinevsky, os candidatos à pós devem ser o mais transparente possível quando fazem entrevistas para entrar num curso do tipo. "Na seleção, aconselho o estudante a dizer exatamente o que espera do curso e que tipo de passo ele quer dar em sua carreira. Isso é fundamental para o direcionarmos para a pós mais adequada, inclusive para montar turmas em que os alunos possam fazer networking com outros profissionais estratégicos. Às vezes, ouvir um não numa seleção de pós pode ser uma boa notícia", diz o diretor.
Números animadoresO Instituto de Economia da Fundação Getulio Vargas decidiu colocar em planilhas matemáticas o retorno financeiro que a educação dá aos profissionais. Pelas contas da FGV, a cada ano de estudo, o trabalhador vê sua renda crescer 15%. Segundo o coordenador da pesquisa, professor Marcelo Neri, o salto salarial maior é notado quando o trabalhador conclui um curso de pós-graduação.
"As profissões com melhores salários são as que exigem curso superior, como médico ou engenheiro. Mesmo entre estes profissionais, no entanto, notamos que os maiores salários se concentram entre quem tem pós-graduação. Entre os trabalhadores com pós, o salário médio é 47% maior do que aquele que possui somente o curso superior", diz Neri.
Uma pesquisa similar foi feita pelo professor da USP e do Ibmec São Paulo Naércio Aquino Menezes Filho. Segundo Naércio, os ganhos salariais são inegáveis, mas variam conforme o perfil do aluno e o tipo de pós que ele faz.
"O profissional deve escolher um curso relacionado com seus talentos e vocações. Uma pós com características acadêmicas, por exemplo, para formar professores, leva mais tempo e os ganhos salariais são vistos num prazo mais longo. Já um MBA com foco no mercado corporativo gera resultados mais rápidos, mas só se o aluno tiver mesmo vocação para o competitivo mercado das grandes empresas", diz Naércio.
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